terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Foto de Carlos Tebecherani Haddad.Foto de Carlos Tebecherani Haddad.
Foto de Carlos Tebecherani Haddad.
 
 
 
 
 
 
 
Carlos Tebecherani Haddad adicionou 27 novas fotos.
SANTOS, A MELHOR CIDADE DO BRASIL PARA SE VIVER.
A notícia eu já dei, aí em baixo.
As fotos, ofereço agora, para reforçar a notícia.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

A RESPOSTA DA ESFINGE A FREDERICO BUSSINGER


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 http://portogente.com.br/colunistas/frederico-bussinger/o-enigmatico-porto-de-santos-77297
Sábado, 27 Julho 2013 16:24

O enigmático Porto de Santos

“Decifra-me ou te devoro!”





 Movimentação de açúcar bate recorde no porto santista

R$ 4 bilhões poderiam ter sido investidos nos últimos anos se não tivessem sido “represados” nas curvas e remansos de um processo decisório tortuoso e adiposo, progressivamente deslocado da Baixada Santista. Se tais investimentos tivessem sido feitos, onde estaria o Porto de Santos hoje? – 
é a pergunta inevitável. FREDERICO BUSSINGER
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ONDE ESTÃO ESCONDIDOS OS SEGREDOS DO PORTO DE SANTOS?
por Cynthia Esquivel

Eu diria você, Frederico Bussinger, que e' um monumento vivo na vivência portuária, que as contradições e paradoxos no Porto de Santos emanam de distancias longínquas no tempo e de seus arrededores no espaço, tecendo pelo avesso a urdidura de seu caráter multifacetado, nem sempre percebido com clareza, exigindo vários domínios do saber para ser apreendido em sua inteireza e complexidade.

Santos foi a 2ª Vila na Colônia Portuguesa e sua historia começa através de seu porto de trapiches reais com naus a vela a serem carregadas de açúcar pelos escravos que pisoteavam o lodo do manguezal onde todo o lixo e dejetos da pequena povoação eram descartados. 

Na magnifica obra de Marina Tucunduva Bittencourt Porto Vieira, tão singela e despretensiosa, mas envolvente e de grande e impactante peso histórico sobre o Asilo de Órfãos de Santos na Engrenagem da Cidade  (tese apresentada `a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, para obtenção do titulo de Doutor em Educação e Historiografia, sob orientação da Dª Marta M Chagas de Carvalho, em 2011), podemos observar essa construção enigmática da importância do Porto de Santos, minuciosamente.

Conduzida como um romance, a historia de Santos, do Porto, do Café e do Asilo de Órfãos (originariamente Associação Protetora da Infância Desvalida) se mesclam com as famílias originarias da Cidade, das quais, com orgulho, faço parte. Pois que meu bizavo, Dr. Arlindo Ramires Esquivel Junior, Medico pela Faculdade Imperial do Rio de Janeiro, casado com Dona Hermelinda de Suplicy, dedicado `as epidemias da época, que tantos órfãos deixou nos cortiços dos imigrantes de Santos, tornou-se um dos integrantes fundadores do Asilo. Também foi um dos fundadores do Clube XV de Santos em 1869, sendo seu Presidente em 1884. 

Descendente de Bernardo Ramires EsquivelAristocrata, Almirante da Frota Portuguesa no século XVIII, D. Bernardo Ramires Esquível (1723 - 1812), 1.º Barão de Arruda, 1º Visconde de Estremoz, Conselheiro de Guerra e do Almirantado, Almirante da Armada Real e Comandante do Corpo da Marinha em Portugal (http://pt.wikipedia.org/wiki/Visconde_de_Estremoz);“Um vassalo fiel com amor a seu Augusto Príncipe Soberano, zeloso do Real Serviço e amante da Pátria” - Como consta em outra magnífica obra de Mestrado em Historia Marítima, na Universidade de Lisboa , Faculdade de Letras, Departamento de Historia, em 2011, de Pedro Miguel Nazaré Pereira, sob o titulo: "BERNARDO RAMIRES ESQUIVEL (1723-1812) Aristocracia e Oficio nos Finais do Antigo Regime". Que deixou enorme espolio de documentos no arquivo central da marinha com duas caixas com 569 documentos manuscritos e varias pastas com informação sobre seus filhos e familiares.

http://repositorio.ul.pt/handle/10451/6812
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/6812/1/ulfl107710_tm.pdf 

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Bernardo Ramires Esquível, 1º Barão de Arruda e o 1º Visconde de Estremoz, nasceu a 29/07/1723 e faleceu a 26/11/1812. Foi um distinto Oficial da Marinha, registando uma gloriosa carreira naval: entrou para a Marinha como soldado no Regimento da Armada (27/07/1744), foi promovido a Alferes no mesmo Regimento - 13/03/1751, Capitão-tenente - 15/07/1752, Capitão-de-mar-e-guerra - 24/01/1762, Coronel-de-mar - 15/09/1780, Marechal de campo, com exercício na Marinha - 28/09/1784, conselheiro do Almirantado - 29/04/1795, Almirante graduado - 5/06/1797 e Almirante efectivo -12/07/1801. Comandante do Corpo da Marinha de Guerra, como Lugar-tenente do Infante D. Pedro Carlos, destacando-se, ainda, o comandando da Esquadra que socorreu Mazagão, e no ataque a Argel. Conselheiro da Rainha D. Maria I e do Rei D. João VI e pertenceu ao Conselho de Guerra. Comendador da Ordem de Santiago da Espada, Comendador da Casa da Índia, na Ordem de Cristo, cavaleiro professo na mesma ordem e senhor de vários vínculos. 
https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=3758
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Fazendo parte dessas linhagens e fidalguia, as originárias famílias santistas entreteceram sobre si e sua prole a tradição da nobreza, da distinção e de valores éticos que mantiveram em Santos a tradição e criaram o pioneirismo de ilustres cidadãos que contribuíram desde o Império com a história da nação. Forjaram seus rumos e indicaram a vanguarda através da cultura refinada, num harmonioso paradoxo que se reflete na própria vida da cidade: um arraigado tradicionalismo e a forte atuação política metropolitana.
Só santistas de raiz para avaliar a força desse contraponto.


(continua)




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Nossa Fauna Portuaria

NOSSO PORTO

O porto foi o ponto gerador da cidade de Santos, já que próximo ao ancoradouro escolhido por Brás Cubas foram construídos em 1543 uma capela e um hospital que seriam o núcleo da cidade ocupando a margem direita do que viria a ser chamado de Estuário de Santos.
 
 

Estuário da Baixada Santista

Vista Aérea do Porto de Santos

 
O crescimento do porto foi inexorável ao longo de toda a margem oposta, já na Ilha de Santo Amaro, onde foram construídos terminais particulares e pátios de movimentação de carga.

Hoje, o porto se estende por 12 km, entre a Ponta da Praia e a altura da Ilha dos Bagres, e movimenta mais de 70 milhões de toneladas de carga por ano. O Porto de Santos e os terminais existentes em Vicente de Carvalho, na margem esquerda do Estuário, existem sobre antigos manguezais que se estendiam até a Ponta da Praia.*

As aves que hoje em dia freqüentam o Porto de Santos são oriundas dos manguezais próximos, ou da própria cidade. Algumas são oportunistas, como as pombas que se alimentam do que encontram no solo, assim como grãos entre os trilhos dos trens. Estas, por sua vez, são o alimento preferido do falcão-peregrino (Falco peregrinus) que freqüenta o porto entre a primavera e o verão.



AVES OBSERVADAS NO PORTO (PONTA DA PRAIA)
Clique nas imagens para abrir as janelas com as descrições das aves

Biguá
Fragata
Garça-branca-gr
Garça-branca-pq
Garça-azul
         
Socó-dorminhoco
Urubu
Falcão-peregrino
Corta-mar
Gaivotão
         
 
Trinta-réis
Pombo-doméstico
Asa-branca
Martim-pescador
 
         

       

     

*Fonte: OLMOS, F & SILVA, R.S. Guará Ambiente, Flora e Fauna dos manguezais de Santos-Cubatão. 2003. Editora Empresa das Artes. 216p.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
BRETAS, E. & SIGRIST, T: Desenho Científico de Aves. Anais do V Congresso Brasileiro de Ornitologia, UNICAMP, Campinas, 1996.
CAMARGO, H: Sobre uma pequena coleção de aves de Boracéia e do Varjão do Guaratuba (Estado de São Paulo). Papéis Avulsos do Departamento de Zoologia, SP, 7(11): pág.143-164, 1946.
DEVELEY, PEDRO F: Aves da Grande São Paulo. Aves e Fotos Editora, São Paulo, 2004. 1ª edição.

HÖFLING, ELIZABETH-ALMEIDA DE CAMARGO, HÉLIO F: Aves no Campus, EDUSP. São Paulo (3ª Edição), 1999.
MOORE, HOWARD R, A:. A complete checklist of te birds of the world. 2. ed. London, Academic Press. 622 p. 1991.
OLMOS, F & SILVA, R.S. Guará – Ambiente, Flora e Fauna dos Manguezais de Santos-Cubatão. Editora Empresa das Artes, 2003.
RUSCHI, AUGUSTO: Aves do Brasil – Editora Rios, São Paulo, 1981.
SCHAUENSEE, R.M: A Guide to the Birds of South America. ICBP, 498 p., 1982.

SICK, HELMUT: Ornitologia Brasileira. Ed. Nova Fronteira, 1997.

SOUZA, DEODATO: Todas as aves do Brasil. Editora DALL. 1998.
WILLIS, EDWIN O’ NEIL, Ilustrações: SIGRIST TOMAS. Aves do Estado de São Paulo. 


http://portogente.com.br/avesnoporto/
 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

ONDE ESTAO OS COELHOS DESSA CORTOLA?

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Terça, 15 Novembro 2011 22:01

SEP coloca “no forno” acordo da dívida da Libra com o Porto de Santos

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Com “malabarismos” contábeis que reduzem em algumas vezes uma dívida de mais de 1 bilhão de reais com uma estatal, e justificados por um investimento da empresa  privada, a Secretaria de Portos (SEP) está finalizando acordo entre a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e a Libra Terminais, no Porto de Santos.
A dívida foi até reconhecida na 4ª Vara Federal de Santos. No entanto, ainda está sem resposta, porque a Codesp resolveu discutir diretamente com a Libra depois que seu jurídico conseguiu sentença favorável na Justiça. Mistérios.
Negociação, aliás, que se arrasta há mais de dois anos e extrapola o prazo que a Advocacia-Geral da União (AGU) autoriza para que ela ocorra.
Nesse período foi preparado o lance de mestre. Um projeto de ampliação das instalações da Libra Terminais no Porto de Santos, e que deverá demandar investimentos superiores ao abatimento da dívida, faz parte do acordo que tramitou pela AGU, pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e “marca no gelo”, ou seja, desobriga essa empresa de pagar quase dois terços dos valores devidos e estabelecidos no contrato de arrendamento da área portuária.
Além de prejudicar os cofres públicos, fazer investimento na melhoria de infraestrutura privada com dinheiro que deveria ser pago à Codesp, cria favorecimento e prejudica a competição objeto da Lei 8.630/93. E a possibilidade de tirar coelho da cartola não para por aí. Contratados sem licitação, as obras e equipamentos desse investimento privado não possibilitarão a apuração transparente dos valores negociados.
Porém, todo esse arranjo não evita o questionamento do Ministério Público. Quem vai assinar o que foi arranjado serão os diretores da Codesp. Com pouca expectativa de permanecerem no cargo, com certeza essa diretoria deve estar pensando se convém levar tamanha encrenca para casa. Foi o que concluíram os diretores da gestão anterior que não quiseram assinar o acordo dessa dívida.
Leia também* Ação popular sobre o caso Libra Terminais-Codesp no Ministério Público
* Libra mágica
Embalando a Libra

ONDE ESSE ACORDO SE AMARRA?

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Segunda, 07 Outubro 2013 13:58

As bondades da Codesp com a Libra Terminais

Escrito por 
   
O mundo portuário nacional já sabe que uma dívida milionária da Libra Terminais com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), autoridade portuária do Porto de Santos (litoral paulista), rola por corredores brasilienses há muito tempo, mesmo tendo uma decisão judicial favorável à Codesp. Todavia, não sabe que essa mesma empresa recebeu mais um benefício de “pai para filho” dessa mesma autoridade portuária.
Leia também
* SEP coloca “no forno” acordo da dívida da Libra com o Porto de Santos
* Devassa também no acordo entre Libra e Codesp?
* As confusões do presidente da Codesp sobre a dívida da Libra
Vamos aos fatos.
1- A Libra Terminais comprou o contrato da NST licitado com o objeto de movimentação de açúcar, no armazém 33, no cais santista. Ato contínuo, com os “olhos e coração” meigos da Codesp, a empresa não encontrou dificuldade para desrespeitar a lei e mudar, sem licitação, o objeto do contrato em vigência de terminal açucareiro para pátio de contêineres. Levando-se em conta a demanda do mercado e sem necessidade de ser um grande matemático, dá para entender que a Libra foi premiada com uma tremenda vantagem competitiva. Tinha apenas um porém: ela estava obrigada a devolver para a Codesp os shiploaders para carregamento de navios com açúcar.
2- Com o início das obras para construção do pátio de contêineres, a Codesp resolveu fazer um leilão desses equipamentos, mesmo sem ainda os ter recebido de volta. Como o valor mínimo exigido de lance era muito acima do de mercado, a oferta a menor da TGrão (Terminal de Graneis AS) foi rejeitada.
3- A Libra ficou com esse equipamento de presente. E o que é pior: recentemente o vendeu por preço inferior ao que foi ofertado pela TGrão. Alega que vai instalar equipamento de maior valor para movimentação de contêineres.
Assusta o mundo portuário e a sociedade imaginar qual tipo de “cordão umbilical” liga tão fortemente a Codesp e a Libra Terminais. Enquanto isso, órgãos de fiscalização em Brasília continuam sem ajustar adequadamente os binóculos em direção ao maior porto do País e a boa prática pública fica a ver navios.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

AGORA ENTENDEMOS PORQUE DECRETARAM SIGILO DE JUSTIÇA NA AÇAO CIVIL PUBLICA DA HABITATBRASIL.ORG CONTRA ANTAQ E UNIAO

Infraestrutura

Terminal abandonado é exemplo do descaso no maior porto do Brasil

Local operado pela multinacional Vopak por 20 anos na área mais nobre do cais de Santos está inativo porque os órgãos gestores não querem fazer, por enquanto, uma nova licitação

Naiara Infante Bertão, de Santos
Vopak Santos
Porto de Santos: ferrugem corrói granéis em terminal abandonado da Vopak (Ivan Pacheco)
 
O pacote de privatização dos portos brasileiros ainda não saiu do papel. O primeiro edital deveria ter sido publicado em 2013, mas foi adiado devido a falhas apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Ele foi formulado com base na nova Lei dos Portos, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em junho do ano passado. Ainda que o pacote portuário seja considerado uma bagunça completa por grande parte dos especialistas do setor de infraestrutura, a presidente acertou ao sancionar a nova lei, que traz mais eficiência e dinamismo a esse ator vital do crescimento do país. Contudo, um terminal abandonado há um ano e meio e escondido na ilha de Barnabé, em Santos, é exemplo de como a burocracia e a incompetência que imperam no setor podem contaminar as novas privatizações.

Trata-se do antigo terminal da Vopak, uma multinacional holandesa de transporte de cargas químicas e petróleo. A empresa construiu o terminal em 1986 após vencer uma licitação cujo contrato previa a operação do terminal por uma década. Hoje, o local está às moscas. Mato cresce em todo o entorno e a ferrugem corrói os tanques onde cargas outrora eram armazenadas. O site de VEJA esteve no local para entender por que, num país onde filas quilométricas de caminhões se formam nos arredores do porto esperando pelo embarque, um terminal com infraestrutura, acessos rodoviários e ferroviários, manutenção e dragagem periódicas está ocioso e abandonado.

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Histórico - O terreno de pouco mais de 38 mil metros quadrados fica na margem esquerda do porto de Santos, próximo ao Guarujá — e é uma das áreas mais nobres do cais. Os terminais da ilha são predominantemente de granéis líquidos. A Vopak construiu toda a estrutura do terminal na década de 1980, quando ganhou o direito de explorá-lo. À época, a lei vigente ainda permitia que a empresa arrendatária de um terreno dentro do porto organizado tivesse o direito de pedir a renovação do contrato sempre que o mesmo atingisse o prazo final, que era 10 anos.

Com o vencimento do primeiro período, em 1996, uma nova Lei dos Portos (nº 8.630/93) já estava vigente. Mas, em vez de adaptar o contrato da companhia à nova legislação, que permitia a concessão por mais 25 anos, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) manteve o texto antigo, prorrogando por mais 10 anos. Em 2006, ano em que venceria a segunda permissão da Vopak, a Codesp se deu conta de que não sabia muito bem o que fazer com a área: se renovaria o contrato ou faria outra licitação já no âmbito da nova lei. A gestora estadual dos portos, então, prorrogou a operação da multinacional por mais três anos, para que tivesse o tempo necessário para preparar a nova licitação.

Burocracia - O prazo venceu e, novamente, não havia um edital no forno. A Codesp só conseguiu realizar o leilão da área em outubro de 2010. Na ocasião, o próprio consórcio cuja Vopak era sócia venceu o pleito ao oferecer um ágio de aproximadamente 52,7 milhões de reais ao órgão estadual. Mas, a segunda colocada, a Deicmar, que havia ofertado 16,1 milhões de reais, entrou com recurso administrativo solicitando a desclassificação da vencedora. A concorrente alegava que o consórcio vencedor não havia apresentado os documentos exigidos pelo edital. O caso foi levado ao Tribunal de Contas da União (TCU) que, em maio de 2011, determinou a anulação da concorrência devido a irregularidades no edital.

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A extinção do leilão foi feita oficialmente em outubro do mesmo ano. Enquanto isso, a Vopak continuou na área, em caráter de urgência, para impedir justamente que o terminal se deteriorasse, por ser um bem público. Feitas as devidas mudanças no edital, o novo processo de licitação só veio em maio de 2012 e a vencedora foi a paraense Cattalini, com uma proposta de 80,7 milhões de reais pela área de quase 39 mil metros quadrados. Em segundo lugar, ficou o Grupo Ultra, que já havia participado da primeira tentativa de leilão, com a proposta de 78 milhões de reais. A Vopak deu o terceiro maior lance - 39,8 milhões de reais – menor que o de 2010.
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Tubulações já estão oxidadas
Tubulações já estão oxidadas - Ivan Pacheco

Contudo, a segunda tentativa tampouco foi bem-sucedida porque, desta vez, o consórcio da Vopak entrou com pedido de impugnação da vencedora, apontando erros no projeto básico. A briga foi parar na Justiça e a vencedora, Cattalini, desistiu do terminal. Foi dada a possibilidade, então, para a segunda colocada, Grupo Ultra, levar a empreitada, mas não houve interesse por parte da empresa devido às complicações jurídicas que cercavam o terminal. Abriu-se, assim, o caminho para a Vopak, em terceiro lugar, assumir a área (que estava abandonada desde agosto de 2012).

Para aceitar a volta da holandesa, a CODESP exigiu que a companhia pagasse o valor ofertado pela primeira colocada — mais que o dobro da oferta da Vopak. A empresa não aceitou — e a licitação, até hoje, está em aberto.

O terminal está desativado, mas poderia estar em funcionamento caso a Codesp tivesse imediatamente formulado um novo pleito. Contudo, fontes do setor afirmam que a nova lei dos portos, sancionada no ano passado, mas discutida desde 2012, deixou o Estado paralisado — e os investidores, ressabiados. Diante da aprovação de uma nova regulação, ninguém se mostrou disposto a assumir um investimento tão grande e correr o risco de ter seu contrato rompido ou modificado pouco tempo depois. “Não se sabia como a seriam feitas as novas licitações e nem se o governo iria querer adaptar os contratos”, afirmou um executivo do setor que preferiu ter seu nome mantido em sigilo.

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Investimentos 
No pacote de portos, em que o governo prevê licitar 159 áreas, o terminal da Vopak tampouco consta na lista de privatizações. Como seu último pleito não foi oficialmente cancelado pela Codesp, um novo leilão não pode ser feito. Procurada pelo site de VEJA, a Codesp, juntamente com a Secretaria dos Portos, respondeu que enviou, no ano passado, à Brasília uma carta pedindo a extinção da licitação. Contudo, o ministro recém-empossado da SEP, Antônio Henrique da Silveira, resolveu priorizar as licitações das áreas que contemplam o primeiro lote de concessões dos portos sob a nova lei. O ministro disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que a previsão é que no final de fevereiro haja "alguma definição" sobre o assunto e o processo licitatório volte aos trilhos. 

Segundo especialistas ouvidos pelo site de VEJA, o abandono do local por tanto tempo pode inutilizar todos os investimentos feitos ao longo das últimas décadas. “Locais como aquele, que movimentam químicos e estão recebendo diretamente a umidade e a salinidade do mar. precisam de manutenção semanal”, diz Marcos Vendramini, diretor de infraestrutura de transporte da consultoria AECom. Ele explica que o ideal seria manter, pelo menos, os tanques cheios de nitrogênio ou de água doce para evitar a corrosão excessiva.

Judicialização 
 O caso da Vopak apavora os investidores do setor — não por acreditarem que a empresa tenha sido injustiçada, mas pela lentidão que com que os órgãos gestores atuam para levar adiante os processos licitatórios e, sobretudo, as dificuldades em adaptar contratos antigos à nova legislação. A lei de 2013 prevê que as prorrogações automáticas de contratos de terminais sejam extintas, caso o governo assim o queira. “Nos contratos constam a opção de renovação e o governo não tem obrigação legal de acatá-la. Mas, há casos que podem ser questionados judicialmente, como os que envolvem investimentos físicos ainda não amortizados”, explicou o advogado Mauro Penteado, do escritório de advocacia Machado Meyer.

Fontes do setor afirmaram ao site de VEJA que algumas empresas já estão se preparando para recorrer judicialmente da decisão da presidente de relicitar algumas áreas. Em Santos, há quatro terminais cujos contratos já venceram, mas as empresas arrendatárias – Granel Química, Ficher S.A., Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e Pool do Corredor de Exportação – continuam operando. A Codesp informou ao site de VEJA que eles operam por meio de liminar de mandado de segurança contra a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Procurada, a Antaq não havia respondido até o fechamento da reportagem.